resultado da primeira chamada do Programa Universidade para Todos (ProUni) já pode ser consultado em suapágina na internet, nas instituições participantes ou pela central de atendimento do Ministério da Educação (MEC): 0800-616161.
Os candidatos pré-selecionados devem comprovar nas instituições de ensino as informações dadas na ficha de inscrição, providenciar a matrícula e, se for o caso, participar de seleção própria da faculdade ou universidade. No site do Prouni é possível ver a lista da documentação necessária.
O candidato tem de 1º a 8 de julho para comparecer às instituições com os documentos. Caso perca o prazo ou não comprove as informações necessárias, será reprovado.
Resultado da primeira chamada pode ser consultada na página do programa na internet
O ProUni oferece bolsas em instituições particulares de ensino superior. Nesta edição, são oferecidas 90.045 bolsas - dessas, 55.693 integrais e 34.352 parciais, no valor de 50% da mensalidade. As bolsas integrais do ProUni são para os estudantes com renda bruta familiar, por pessoa, de até um salário mínimo e meio. As bolsas parciais são destinadas aos candidatos com renda bruta familiar de até três salários mínimos por pessoa. Nesta edição do programa 436.941 candidatos fizeram a inscrição.
O resultado da segunda chamada está previsto para 16 de julho. O estudante terá de 16 a 22 do mesmo mês para comprovar as informações e providenciar a matrícula. Caso fique fora das duas chamadas e pretenda integrar a lista de espera, o candidato terá de fazer a adesão, também pela internet, de 26 a 29 de julho.
Prova será feita em 14 de julho. As inscrições já estão abertas. Não perca!
Vai fazer o Enem 2013, mas não sabe como é a prova? Quer treinar para mandar bem no exame e conseguir uma vaga no Sisu? Essa é a sua chance! Em 14 de julho, um domingo, o GUIA DO ESTUDANTE realiza o Simulado Online Enem - GE do primeiro semestre. As inscrições já estão rolando, são gratuitas e podem ser feitas até o dia da prova.
O simulado vai rolar entre as 10h e as 17h (o estudante pode começar o teste em qualquer momento entre esses horários) do dia 14/07 e terá duração máxima de 4h30min, sem interrupções. A prova começará a contar a partir do momento em que o aluno entrar no site com seus dados. Ou seja, se o estudante quiser começar a prova às 10h, terá até às 14h30 para realizar o exame; caso queira começar às 14h, terá até às 18h30 para fazer a prova; e ainda se começar às 17h, terá até às 21h30 para concluir o simulado.
Se perder ou esquecer a senha, no dia do simulado, basta clicar no botão "recuperar senha" antes de começar a prova.
O gabarito será divulgado às 22h do mesmo dia.
A prova O simulado é uma boa oportunidade para o estudante treinar suas habilidades e conhecer o modelo de prova antes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Serão 88 questões objetivas de múltipla escolha, com as mesmas áreas cobradas pelo Enem:
- Linguagens, Códigos e suas Tecnologias - Matemáticas e suas Tecnologias - Ciências da Natureza e suas Tecnologias - Ciências Humanas e suas Tecnologias
UnB – 50% das vagas pelo Enem/SiSU (novo - saiba mais) UFG – no Vestibular 2013/1, a parte objetiva do Enem 2012 pôde user usada para aumentar a nota da primeira fase; além disso, 22,7% das vagas (1.139) foram oferecidas pelo SiSU UFGD – 50% das vagas pelo Enem/SiSU (novo-saiba mais) UFMT – todas as vagas pelo Enem/SiSU UFMS – todas as vagas pelo Enem/SiSU
UEMS – todas as vagas pelo Enem/SiSU Unemat – todas as vagas do Vestibular 2014/1 serão oferecidas pelo Enem/SiSU
REGIÃO NORDESTE
UFAL – todas as vagas pelo Enem/SiSU UFBA – todas as vagas pelo Enem/SiSU (novo - saiba mais) UFRB – todas as vagas pelo Enem/SiSU UFC – todas as vagas pelo Enem/SiSU Unilab – todas as vagas pelo Enem/SiSU UFPB – todas as vagas pelo Enem/SiSU (novo - saiba mais) UFCG – No Vestibular 2013, todas as vagas foram ofecidas pelo Enem, mas sem aderir ao SiSU UFMA – todas as vagas pelo Enem/SiSU UFPE – Enem representa a 1ª fase do vestibular UFRPE – todas as vagas pelo Enem/SiSU Univasf – todas as vagas pelo Enem/SiSU UFPI – todas as vagas pelo Enem/SiSU UFRN – todas das vagas pelo Enem/SiSU Ufersa – todas as vagas pelo Enem/SiSU UFS – todas as vagas pelo Enem, mas sem aderir ao SiSU
UNEB – no Vestibular 2013, cerca de 22% das vagas foram preenchidas pelo Enem/SiSU UESB – no Vestibular 2013, 50% das vagas foram preenchidas pelo Enem/SISU UESC – todas as vagas pelo Enem/SiSU UEPB – no Vestibular 2013, 50% das vagas forampreenchidas pelo Enem/SiSU UPE – Enem representa a 1 fase do vestibular (novo - saiba mais) UESPI – todas as vagas pelo Enem/SiU UERN – no Vestibular 2013, Enem pôde valer 20% da pontuação do vestibular
REGIÃO NORTE
UFAC – todas as vagas pelo Enem/SiSU UFAM – no PSC 2013, 50% das vagas foram preenchidas pelo Enem/SiSU Unifap – metade das vagas para Enem 2012 ou 2013, sem aderir ao SiSU UFPA – todas as vagas pelo Enem 2012, sendo 20% pelo SiSU (novo - saiba mais) UFOPA – todas as vagas pelo Enem 2013 ou 2012, mas sem utilizar o SiSU UFRA – Enem 2013 representa a 1ª fase do vestibular; outras vagas podem ser oferecidas via SiSU UFRR – disponibiliza parte das vagas pelo Enem/SiSU, mas ainda não informou quantas UNIR – todas as vagas pelo Enem, mas sem aderir ao SiSU UFT – no Vestibular 2013/1, 12,5% das vagas foram preenchidas pelo Enem/SiSU
UEAP – todas as vagas pelo Enem, mas ainda não definiu se será pelo SiSU (novo - saiba mais)
REGIÃO SUDESTE
UFES – Enem representa a 1ª fase do Vestibular de Verão e critério único para Vestibular de Inverno (SiSU) (novo - saiba mais) UFMG – todas as vagas pelo Enem/SiSU, exceto cursos que exigem teste de habilidade específica (novo - saiba mais) UFJF – 70% das vagas pelo Enem/SiSU; o restante é pelo vestibular seriado (Pism) UFLA – 60% das vagas pelo Enem/SiSU; o restante é pelo vestibular seriado (PAS), sendo que o Enem substitui as provas da 3ª etapa Unifal – todas as vagas pelo Enem/SiSU Unifei – todas as vagas pelo Enem/SiSU UFOP – todas as vagas pelo Enem/SiSU, exceto para os cursos que exigem teste de habilidade específica UFSJ – todas as vagas pelo Enem/SiSU (novo - saiba mais) UFTM – todas as vagas pelo Enem/SiSU (novo - saiba mais) UFU – todas as vagas do Vestibular 2014/1 (sem contar o PAAES) serão preenchidas pelo Enem/SiSU, exceto cursos que exigem teste de habilidade específica UFV – 80% das vagas pelo Enem/SiSU; o restante é pelo vestibular seriado (Pases), sendo que o Enem substitui as provas da 3ª etapa UFVJM – 50% das vagas pelo Enem/SiSU; o restante é pelo vestibular seriado (SASI), sendo que o Enem substitui as provas da 3ª etapa UniRio – todas as vagas pelo Enem/SiSU UFF – todas as vagas pelo Enem/SiSU UFRJ – todas as vagas pelo Enem/SiSU, exceto cursos que exigem teste de habilidade específica UFRRJ – todas as vagas pelo Enem/SiSU, exceto para os cursos que exigem teste de habilidade específica Unifesp – usa Enem como 1ª fase do vestibular para alguns cursos, e o SiSU para outros UFABC – todas as vagas pelo Enem/SiSU UFSCar – todas as vagas pelo Enem/SiSU
UENF – todas as vagas pelo Enem/SiSU Unesp – no Vestibular 2013 o Enem 2012 representou 20% da prova de conhecimentos gerais, caso aumentasse a nota do candidato (opcional) Unicamp – no Vestibular 2013 o Enem 2011 ou 2012 pôde ser usado para compor 20% da nota da 1ª fase, caso beneficiasse o candidato (opcional)
IFSP – todas as vagas (2.600) pelo Enem/SiSU IFF – todas as vagas pelo Enem/SiSU IFRJ – todas as vagas pelo Enem/SiSU IFTM – todas as vagas pelo Enem/SiSU (novo - saiba mais) Cefet-RJ – todas as vagas pelo Enem/SiSU
REGIÃO SUL
UFPR – No Vestibular 2013, Enem 2012 correspondeu a 10% da pontuação final do candidato UTFPR – todas as vagas pelo Enem/SiSU Unila – todas as vagas serão preenchidas pelo Enem, mas ainda não definiu se utilizará o SiSU UFRGS – no Vestibular 2013, Enem representou uma décima nota que foi utilizada para o cálculo do argumento de concorrência, com peso dois (opcional) UFCSPA – todas as vagas pelo Enem/SiSU UFSM – Enem representa 20% da pontuação final dos vestibulares tradicional e seriado UFPel – todas as vagas pelo Enem/SiSU FURG – todas as vagas pelo Enem/SiSU Unipampa – todas as vagas pelo Enem/SiSU UFSC – no Vestibular 2013, Enem de 2009 a 2012 pôde representar 30% da nota final do vestibular. UFFS – todas as vagas pelo Enem 2012 ou 2013, sem aderir ao SiSU
UEL – Enem é usado apenas para vagas remanescentes UENP – no Vestibular 2013, 10% das vagas foram preenchidas pelo Enem 2011 ou 2012 Unicentro – Enem é usado para vagas remanescentes Unioeste – 50% das vagas pelo Enem/SiSU (novo - saiba mais) UERGS – todas as vagas pelo Enem/SiSU; exceto para os cursos que exigem teste de habilidade específica Udesc – 25% das vagas do Vestibular de Verão serão preenchidas pelo Enem/SiSU (novo - saiba mais)
IFPR– todas as vagas pelo Enem/SiSU IFRS – todas as vagas pelo Enem/SiSU IF-Farroupilha – todas as vagas pelo Enem/SiSU
Descomplica, portal lançado em 2011, oferece 3.500 videoaulas e conquista milhares de alunos pela qualidade dos professores e pelos preços acessíveis
O professor e engenheiro Marco Fisbhen, 33 anos, deu aulas de física durante uma década em cursos pré-vestibular no Rio de Janeiro, mas em 2011 começou a colocar em prática um projeto mais ambicioso, o de ajudar milhares de estudantes a se prepararem para o ensino superior, a maioria deles da classe C e D. Embora também faça isso através de aulas preparatórias ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), usa a internet e outras tecnologias para atingir um número muito maior de pessoas, com um custo bastante acessível.
“Nunca paguei um centavo por educação e sentia a necessidade de alavancar modelo de ensino para pessoas que não podem pagar também”, relembra Fisbhen, fundador e CEO doDescomplica , site que reúne 3.500 vídeos de aulas com a mesma dinâmica que ele costumava usar no cursinho.
O Descomplica é primeira startup educacional retratada em série de reportagens que começou a ser publicada hoje pelo iG sobre o mercado em crescimento de EdTech (integração entre educação e tecnologia) no Brasil.
Um pouco mais de dois anos depois, a empresa que começou publicando algumas dezenas de videoaulas produzidas por uma equipe quase caseira – eram quatro colaboradores em 2011: Fisbhen, uma estagiária, um cinegrafista e um editor de vídeos – recebe mais de 500 mil visitas por mês e oferece conteúdos em várias plataformas para quem está estudando para o Enem. São monitorias online, fóruns de discussão para mais de 10 mil questões, correção de redação, planos de estudo extensivo (para quem começa a se preparar em março) e intensivo (inicia em agosto) e aulas ao vivo que são acompanhadas por 1000 pessoas todos os dias.
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“Eu sou professor e acredito que a chave é o professor, não a tecnologia. Ela tem que estar presente para distribuir e alavancar o modelo, mas não é o coração. Nós fazemos educação, não algoritmo. ”
Parte desse conteúdo é gratuita e os planos que dão acesso a tudo custam de R$ 15,73 por mês a R$ 25,90. “A ideia sempre foi ser extremamente acessível. Nossa conta era descobrir qual era o mínimo que poderíamos cobrar para poder rodar o Descomplica. Era claro que não queríamos usar um modelo de doação, mas fazer um negócio para a classe D. Não é chegar à classe C, mas em quem realmente precisa”, diz.
Antes de ser lançado, o projeto foi apresentado no Desafio Intel, promovido pela FGV, para patrocinar novas empresas. Mesmo sem vencer a competição, Fisbhen foi chamado pelo presidente do fundo de investimento Gavea Angels, que gostou da apresentação e decidiu apostar no projeto.
O fundador do Descomplica conta que nos primeiros meses o site oferecia pouco conteúdo, o sistema de pagamento era ruim e pouca gente comprava o produto, mas a percepção de qualidade era alta, diferencial que Fisbhen considera especial até hoje no Descomplica.
“Eu sou professor e acredito que a chave é o professor, não a tecnologia. Ela tem que estar presente para distribuir e alavancar o modelo, mas não é o coração. Nós fazemos educação, não algoritmo. O que faz as pessoas gostarem do Descomplica é a capacidade que um bom professor tem de motivar, engajar, inspirar e, óbvio, entregar conteúdo”, defende.
Escala Embora a ideia nunca tenha sido oferecer todas as aulas de graça, foi desta maneira que o Descomplica conseguiu ganhar escala pela primeira vez, tanto em quantidade de conteúdo publicado como em número de usuários. Do fim do primeiro semestre de 2011 até o Enem daquele ano todo o conteúdo do site foi liberado. Isso foi possível a partir de uma parceria com o Instituto Natura, que patrocinou o projeto naquele período; a Microsoft, que ofereceu infraestrutura de computação em nuvem para suportar o aumento do fluxo no site; e a Vivo, que desenvolveu um serviço de aulas para tecnologia móvel. O resultado dessa ação foi que mais de 500 mil pessoas foram atendidas, novamente com uma taxa de engajamento altíssima. Segundo pesquisa realizada pela Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS), 90% dos alunos consideravam o conteúdo excelente ou muito bom, 78% obtiveram nota acima da média nacional no Enem e 30% conquistaram uma vaga.
Com esse resultado na manga, mas já cobrando pelo serviço novamente, Fisbhen foi buscar no início de 2012 novos investimentos nos Estados Unidos. O segundo ano da empresa terminou com um novo aporte recebido de cinco fundos e um saldo de 1 milhão de pessoas beneficiadas pelo site.
Novos projetos
Reprodução
Site Descomplica recebeu 535 mil visitas em maio
Atualmente, com 59 funcionários fixos e cerca de 30 professores freelancers, o escopo de atuação do Descomplica está sendo ampliado. Além de conteúdo para o Enem e vestibulares, o portal já oferece aulas para ajudar alunos desde o primeiro ano do ensino médio. O banco de dados de 15 mil questões de provas foi aberto gratuitamente para qualquer professor interessado e um projeto piloto de conteúdo para ensino superior também está sendo montado.
“Nós crescemos 100% no primeiro trimestre de 2013 em cima do último trimestre de 2012, o que não é pouco, porque já não éramos pequenos. Isso faz com que tenhamos certeza que estamos no caminho certo. Nós sabemos entender o aluno e temos uma equipe especial de professores. Não é a toa que temos 500 mil fãs no Facebook que damos aulas para aulas ao vivo para até 100 mil alunos”, comemora Fisbhen
As inscrições para o Programa Universidade para Todos (ProUni) foram prorrogadas para a próxima quinta-feira. Os estudantes teriam esta terça-feira para se inscrever, agora podem fazê-lo até as 23h59 do dia 27. As inscrições devem ser feitas no site do ProUni. Com o adiamento, o calendário do ProUni também teve modificações.
Segundo o último balanço divulgado pelo Ministério da Educação (MEC), até as 18h desta terça-feira, foram registradas 336.748 candidatos inscritos e 648.807 inscrições a bolsas — cada estudante pode fazer até duas opções de curso. De acordo com o MEC, o adiamento foi feito para que mais estudantes possam fazer a inscrição. Até o momento, o número de candidatos é inferior ao do segundo semestre de 2012: 456.973 inscritos.
O Prouni oferece bolsas em instituições particulares de ensino superior. Pode se inscrever no programa o estudante brasileiro que não tenha diploma de curso superior. É preciso ter participado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e obtido, no mínimo, 450 pontos na média das notas. O candidato não pode ter zerado a redação e deve ter cursado todo o ensino médio na rede pública ou ter tido bolsa integral em escola particular.
Nesta edição, serão oferecidas 90.045 bolsas - dessas, 55.693 integrais e 34.352 parciais, no valor de 50% da mensalidade.
As bolsas integrais do ProUni são para os estudantes com renda bruta familiar, por pessoa, de até um salário mínimo e meio. As bolsas parciais são destinadas aos candidatos com renda bruta familiar de até três salários mínimos por pessoa.
O processo terá duas chamadas. O resultado da primeira será divulgado no dia 30, e não mais no dia 28, pela internet. Do dia 1º de julho ao dia 8, o estudante pré-selecionado deverá comparecer à instituição de ensino para comprovar as informações prestadas no momento da inscrição, providenciar a matrícula e, se for o caso, participar de seleção própria da escola.
O resultado da segunda chamada foi transferido para o dia 16 de julho. O estudante terá de 16 a 22 de julho para comprovar as informações e providenciar a matrícula.
Os candidatos não selecionados nessas etapas podem aderir à lista de espera de 26 a 29 de julho. Eles começarão a ser convocados a partir de 2 de agosto.
O anúncio feito pela presidente Dilma Rousseff, na segunda-feira, da criação de 11 mil vagas em medicina como forma de levar profissionais para o interior do País, aconteceu no momento em que coordenadores de pelo menos 11 cursos de medicina de universidades federais se mobilizam contra a falta de apoio do Ministério da Educação (MEC) para garantir a qualidade da formação de novos médicos.
O Terra teve acesso a um documento elaborado pelos coordenadores de cursos de universidades que não contam com hospital-escola durante encontro em São Carlos (SP), em março deste ano. No texto, entregue ao MEC, eles prometem cancelar a abertura de novas vagas a partir de 2014 e até fechar cursos no futuro caso o governo não tome providências urgentes para garantir a qualidade da formação. "Nas condições atuais, só é possível a gestão dos cursos de medicina sem hospitais por meio de práticas de gestão negligentes e irregulares, senão legalmente questionáveis, bem como é inviável e impossível pôr em prática a proposta do Ministério da Educação de aumento da oferta de vagas para graduação médica no País", afirma o documento.
Criados em sua maioria nos últimos 10 anos, esses cursos fazem parte da proposta do governo de interiorizar o ensino da medicina, garantindo que os médicos recém-formados permaneçam nas comunidades onde há falta de profissionais. No entanto, sem contar com hospital universitário, essas instituições dependem de arranjos políticos para permitir que os alunos façam as aulas práticas nos hospitais da rede local. Além disso, os coordenadores dizem que a falta de professores e de preceptores (médicos responsáveis por acompanhar os alunos durante as aulas práticas nas unidades de saúde), somados à estrutura precária, inviabilizam a continuidade do trabalho.
Esses cursos estão correndo muitos riscos. A nossa expectativa é que o MEC tome providências, se não vamos cortar vagas e alguns cursos, como o da UFSCar, correm o risco de fechamento
"Os coordenadores de cursos de medicina sem hospitais, as universidades e os docentes já esgotaram toda a criatividade e improvisação possíveis para a sustentabilidade desses cursos, bem como já enfrentaram todos os riscos administrativos toleráveis, ao ponto em que a manutenção e a subsistência dos mesmos não são mais possíveis", diz ainda o documento.
A pior situação está na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), no interior de São Paulo, onde os alunos do terceiro e do quarto ano de medicina estão sem aulas práticas há mais de 100 dias por falta de preceptores. Um edital foi aberto para preencher 31 vagas, mas até agora menos de 10 médicos demonstraram interesse. De acordo com o coordenador do curso, Bernardino Geraldo Alves Souto, os médicos que atendem na rede de saúde ganham uma bolsa de pouco mais de R$ 1 mil para auxiliar os estudantes durante as aulas práticas. O valor, considerado baixo, não atrai os profissionais, que além do trabalho extra ainda assumem a responsabilidade de supervisionar o atendimento feito pelos estudantes.
"Esses cursos estão correndo muitos riscos. A nossa expectativa é que o MEC tome providências, senão vamos cortar vagas e alguns cursos, como o da UFSCar, podem até ser fechados”, disse o professor, ao afirmar que essa seria uma medida extrema e que por enquanto a universidade negocia com o governo, esperando as mudanças necessárias ainda este ano. Ele propõe a criação de um plano de carreira para atrair os preceptores para o trabalho junto às universidades. Sem direitos trabalhistas, com salários que muitas vezes são pagos com até meses de atraso, os poucos que se dispõem a auxiliar na preceptoria, segundo Bernardino, o fazem por "caridade".
Aluna do terceiro ano de medicina na UFSCar, Ana Clara Bortotti ajudou a liderar uma greve dos estudantes que durou 82 dias. O movimento foi encerrado no mês passado, após várias audiências com a reitoria e até com o MEC, mas sem nenhum avanço. Agora o que ela e os colegas querem é o fechamento do curso e a migração dos alunos para outras instituições públicas. "Passamos um semestre inteiro lutando por uma estrutura melhor, tivemos duas reuniões no MEC. Sabemos que não é difícil, é só priorizar o investimento, mas o descaso é tanto que até agora não temos solução", lamentou a jovem.
Ana Clara contou que quando passou no vestibular da UFSCar - um dos mais concorridos entre as instituições públicas (na última seleção foram 210 candidatos por vaga) - pensou estar realizando o sonho de estudar em uma nas melhores escolas de medicina. "Isso que está acontecendo é uma maldade com o aluno. Você entra em uma universidade pública federal, e pensa que não tem como ser ruim. Só que aí chega num lugar sem estrutura nenhuma."
Isso que está acontecendo é uma maldade com o aluno. Você entra em uma universidade pública federal, e pensa que não tem como ser ruim. Só que aí chega num lugar sem estrutura nenhuma
Ana Clara Bortottialuna da UFScar
O curso da UFSCar depende da disposição política da prefeitura de permitir que os médicos da rede diminuam o número de consultas para que possam auxiliar os alunos da universidade com o trabalho de preceptoria, o que enfrentou resistências da atual administração. A redução da carga horária dos médicos só foi aprovada no final de maio, quando os alunos já estavam sem aulas há dois meses. Os estudantes do primeiro e do segundo ano tiveram as atividades retomadas apenas na semana passada. Para o terceiro e quarto ano, a previsão é que as aulas sejam retomadas dentro de 10 dias. Já quem está na fase final do curso não enfrentou problemas, mas precisa viajar até a cidade de Piracicaba para fazer as aulas do internato em um hospital local. Em São Carlos, não houve acordo para que os estudantes pudessem fazer seus estágios.
Em Minas, hospitais ‘expulsam’ alunos de universidade federal Embora a situação mais crítica seja a da UFSCar, outras universidades públicas que não contam com a estrutura de um hospital-escola relataram inúmeros problemas ao Terra. Na Federal de São João del-Rei (UFSJ), a maior dificuldade é fazer parcerias com os hospitais de Divinópolis (MG), onde está localizado o curso criado em 2008. De acordo com a coordenadora da unidade, professora Janete Ricas, as universidades privadas oferecem um valor muito maior aos preceptores e às unidades de saúde para que atendam aos seus estudantes. "Elas (privadas) pagam muito mais que as federais, então os nossos alunos estão sendo literalmente expulsos". Segundo ela, a única opção é mandar os estudantes para fazer os estágios em outras cidades, como São João del-Rei e Belo Horizonte.
"Tivemos que pulverizar, mas isso prejudica a qualidade da formação. Seria muito melhor se os estágios fossem feitos na cidade, porque os alunos precisam de supervisão. E ainda tem os custos de deslocamento, tem o tempo perdido nas viagens. Fora que não tem sentido criar um curso para fixar o médico no interior e depois mandar ele fazer estágio em Belo Horizonte", disse, ao criticar a proposta de expansão dos cursos de medicina para as periferias do País, sem investimentos. "Falta apoio do MEC para que a qualidade do ensino seja garantida", disse.
Ela contou que nas universidades tradicionais, que possuem hospital próprio, não existe essa dependência da rede pública. Janete ainda reclamou da falta de professores interessados em dar aulas nas universidades localizadas longe dos grandes centros. Há um ano, a UFSJ abriu edital para preencher 10 vagas, mas até agora não houve nenhum interessado. "Um médico aqui chega a ganhar R$ 25 mil por mês atendendo em consultório. Por que vai se submeter a ganhar pouco mais de R$ 2 mil (salário inicial) para dar aulas o dia inteiro?", questionou.
Os estudantes da UFSCar cobram uma solução urgente do MEC para os problemas do cursoFoto: Divulgação
Em São Carlos, seriam necessários 88 docentes para atender de forma plena o curso de medicina, mas hoje são apenas 49. "O MEC liberou apenas 55 vagas, seis nós não conseguimos preencher porque não apareceram candidatos", disse Bernardino Souto. Já na Federal de Viçosa (UFV), a dificuldade de contratação de professores é uma realidade desde a criação do curso. "Atualmente já temos uma adesão maior, mas ainda está aquém das condições ideais", afirmou a coordenadora, Ângela Barra.
Estudantes reclamam da estrutura das unidades de saúde Aluno do quarto período de medicina da Federal de São João del-Rei, Luiz Fernando Martins e Silva, 21 anos, disse que as condições de aprendizado dos estudantes nas unidades da rede municipal de Divinópolis é péssima. Ele conta que os colegas que ainda não foram "expulsos" do hospital filantrópico são atendidos pelos preceptores de maneira desigual em relação a quem estuda numa instituição privada da região. "O governo federal paga uma bolsa para os preceptores, mas dizem que a outra instituição paga um valor bem maior. Então, os médicos dão maior assistência para os alunos dessa faculdade privada do que para a gente", afirmou.
Ele ainda reclamou da falta de estrutura das unidades de saúde da cidade para receber os estudantes. "O que acontece hoje é que temos uma estrutura pequena na cidade que precisa dar conta de atender os alunos da federal, da particular e ainda mais três instituições com cursos de farmácia e enfermagem. O hospital está lotado de alunos, isso é ruim para o ensino", reclamou.
O professor Itágores Coutinho, da coordenação do curso de medicina da Federal do Tocantins (UFT), concorda que um dos grandes problemas de universidades que não contam com estrutura própria de saúde é o atendimento na rede pública. "Os hospitais não são preparados para o ensino. Muitos não têm sala de aula, auditórios, o pessoal não está adaptado aos nossos alunos, não tem costume com a presença deles", disse o coordenador, ao reforçar que também precisa lidar com a falta de docentes e preceptores.
O que as universidades querem No documento encaminhado ao MEC em março deste ano, os coordenadores do curso apresentaram uma série de medidas que precisariam ser tomadas este ano para resolver os problemas. Entre as propostas está a criação de uma carreira para preceptores, substituindo as bolsas de R$ 1 mil por um salário fixo, com remuneração maior. "É preciso que o ministério crie uma política de remuneração; hoje os poucos preceptores que temos fazem um favor, não são valorizados", afirma Thor Oliveira Dantas, coordenador do curso de medicina da Universidade Federal do Acre (UFA).
Outra proposta é o estímulo para que profissionais da área médica atuem como professores nas universidades do interior do País. A ideia dos coordenadores do curso é criar uma espécie de bolsa, no valor mensal de R$ 8 mil por um período de dois anos, que incentive a fixação dos docentes em regime de tempo integral, complementando o valor do salário.
De acordo com o coordenador da UFSCar, também é preciso incentivar a rede pública de saúde a contemplar o ensino. "Os hospitais estão em petição de miséria e, além do atendimento pelo SUS, precisam atender os estudantes sem ganhar nenhum incentivo extra", criticou, ao defender que o Ministério da Saúde, articulado com o MEC, defina um subsídio extra para as unidades de saúde que oferecem estágio aos estudantes das universidades públicas.
Em nota, o Ministério da Educação disse que mantém o diálogo constante com as universidades e que a garantia da qualidade é uma prioridade para a pasta. Segundo o MEC, a abertura de novos cursos só será autorizada após a verificação da estrutura dos equipamentos de saúde dos locais. "A análise dos pedidos considerará critérios como número de leitos disponíveis por aluno, que deve ser maior ou igual a cinco, grau de comprometimento dos leitos do SUS para utilização acadêmica, existência de pelo menos três Programas de Residência Médica nas especialidades prioritárias (clínica médica, cirurgia, ginecologia-obstetrícia, pediatria e medicina da família), vínculo com hospital de ensino, entre outros."
No entanto, a pasta não explicou como pretende solucionar os problemas dos cursos já existentes. Segundo o MEC, desde 2002 foram criados 13 novos cursos de medicina e abertas 3.177 novas vagas.
Para a coordenadora de medicina da Federal de São João del-Rey, Janete Ricas, a proposta do governo de abrir novas vagas para levar medicina às regiões mais pobres é positiva na teoria. "A ideia é boa, mas não adianta fazer só na boa vontade. Precisa de estrutura, de professor, de um sistema de saúde que comporte o ensino. Sem gastos elevados, isso não se alcança."
Segundo ela, o que ocorre nas 11 universidades federais sem hospital-escola é a prova de que o governo não primou pela qualidade do ensino. "Combinamos entre todos os coordenadores dessas universidades que não vamos abrir novas vagas se o governo não tomar providências. Não podemos mais aceitar alunos nessas condições", completou a professora.
Universidades federais que podem cortar vagas em medicina
INSTITUIÇÃO
VAGAS POR ANO
Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)
40
Universidade Federal do Acre (UFA)
40
Universidade Federal de Viçosa (UFV)
50
Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ)
60
Universidade Federal do Tocantins (UFT)
80
Universidade Federal de Roraima (UFRR)
40
Universidade de Ciências da Saúde de Porto Alegre*
88
Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop)
não informado
Universidade Federal do Amapá (Unifap)
não informado
Universidade Federal do Vale do São Francisco
não informado
Universidade Federal de Rondônia
não informado
*Universidade de Ciências da Saúde de Porto Alegre disse que apoia a pressão dos