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domingo, 9 de novembro de 2014

Jovem busca vaga na medicina pelo Enem e faz doces para pagar cursinho

 Larissa Chini encara as salas de cursinhos há anos para realizar o sonho de ser médica (Foto: Fernanda Testa/G1)
Todas as noites, a jovem Larissa Chini, de 27 anos, percorre bares e restaurantes de Ribeirão Preto (SP) para vender doces. A renda do trabalho diário tem um único propósito: custear os dois cursinhos pré-vestibular em que a estudante está matriculada e pagar as inscrições das provas nas universidades. O esforço, somado a ao menos oito horas diárias de estudo, é o preço para a realização do sonho da jovem, que há 10 anos tenta uma vaga para cursar medicina. "Meu sonho é meu combustível. Não paro enquanto não passar", afirma.

Neste sábado (8) e domingo (9), Larissa encara o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) com a esperança de conseguir a tão sonhada vaga em uma das universidades públicas que utilizam a prova em seus vestibulares. "Minha prioridade é a universidade pública. Por isso me preparei bastante para o Enem", diz.
Matriculada desde maio em um cursinho pré-vestibular tradicional e outro específico para redação e língua portuguesa, Larissa costumava estudar diariamente das 7h às 21h. Em julho, no entanto, se viu obrigada a diminuir as horas de estudo. "Eu não tinha dinheiro para pagar as inscrições dos vestibulares e os R$ 1,7 mil que gasto mensalmente nos cursinhos. Então passei a estudar de manhã e à tarde. À noite eu saio e vendo doces que faço com minha mãe para arrecadar dinheiro", conta.

Os bombons de morango e a palha italiana são vendidos a R$ 3 cada. Larissa só volta para casa depois que ela e a mãe conseguem vender todos os doces. O descanso vem só aos sábados durante o dia, quando Larissa reserva um tempo para passar com o namorado. "No domingo pela manhã tento estudar o que faltou durante a semana. Se tenho tempo, ainda saio nas tardes de domingo para continuar vendendo o doce. De certa forma, vender os doces me ajudou um pouco a me desligar do estresse dos estudos. Tem gente que joga futebol, tem gente que dança. Eu trabalho", diz.
Preparação e persistência
Larissa diz que o foco de sua preparação para o Enem está nas disciplinas em que a jovem tem mais dificuldade. "Não tenho muita afinidade com a área de exatas. Então tento fazer o máximo de exercícios possível, além de me reunir com amigos para estudar e tirar dúvidas", explica.

O sonho da estudante Larissa Chini é ser aprovada em medicina em uma universidade pública (Foto: Taiga Cazarine/G1) 
 
O sonho de Larissa é ser aprovada em medicina em
uma universidade pública (Foto: Taiga Cazarine/G1)
 
Para a estudante, o principal desafio do Enem está na quantidade de questões e no tempo para a realização da prova. "O mais difícil é controlar o tempo e seguir com calma para conseguir resolver todas as questões. É uma prova extensa e cansativa. Tomo um chá antes de ir para a prova para ficar mais calma e não me esqueço de levar bastante água e barrinhas de cereal. Não é fácil, mas é preciso encarar com tranquilidade para conseguir um bom resultado", diz.
O fato de estar há uma década lutando para cursar medicina não intimida Larissa. A estudante conta que recebe muitas críticas por insistir na tentativa, mas garante que não vai desistir do sonho. "Sempre quis medicina. Até pensei algumas vezes em prestar outro curso, mas eu não me sentiria realizada.Tem muita gente perto de mim que me motiva, assim como outras que falam mal. Mas acredito que se você tem um sonho, tem que correr para realizá-lo. As pessoas não podem ter medo de arriscar. Independente do tempo que demore, você deve buscar aquilo que te faz feliz. E tenho certeza que minha felicidade está na medicina", conclui.
A estudante vende doces pelos bares de Ribeirão Preto e já tem até freguesia (Foto: Taiga Cazarine/G1)A estudante vende doces pelos bares de Ribeirão Preto e já tem até freguesia (Foto: Taiga Cazarine/G1)
 
 http://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2014/11/jovem-busca-vaga-na-medicina-pelo-enem-e-faz-doces-para-pagar-cursinho-em-ribeirao-preto.html

sábado, 29 de dezembro de 2012

Nágela Machado estudou 12 anos para ser aprovada em Medicina.


Após tentar vestibular para medicina por 12 anos, Nágela Pinto teve os primeiros dias de aula na Universidade Estadual do Ceará (Uece) nesta semana. A cearense de 35 anos passou no último vestibular para medicina em 18° lugar e começou a assistir às aulas na segunda-feira (5) .

 “Quando eu entrei na sala de aula, foi emocionante. Me aplaudiram durante uns dez minutos”, conta. Lições de anatomia humana, metodologia do trabalho científico e monitoria fazem parte da rotina tão esperada por Nágela. Na primeira semana de aula na Uece, a história de dedicação da novata já era conhecida entre os 40 colegas de turma e professores da universidade. ''Tive a certeza de que é realmente o que eu quero para minha vida. Valeu a pena”, afirma a estudante sobre as impressões dos primeiros dias de aulas.

 No tradicional trote, Nágela conta que foi uma das mais “castigadas”. “Me batizaram com o nome 'carro parado' porque disse que gostava de namorar”, brinca. O apelido escolhido pelos alunos veteranos é em referência trechos da música “Motel Disfarçado”, um dos hits da banda Aviões de Forró.

 Durante o trote, os novatos tiveram de circular pelo campus com uma placa com o nome “batismo”. Além da dedicação ao curso de medicina, Nágela trabalha como servidora pública no curso de Secretariado Executivo na Universidade Federal do Ceará (UFC).

 A rotina de estudos e trabalho não é novidade para Nágela que fazia curso pré-universitário e estudava até a hora de ir para o trabalho antes de passar no vestibular. Atualmente, a estudante tem aulas das 7h30 às 16h no campus do Itaperi e, de lá, segue para o trabalho até 22h no Bairro Benfica. “Está muito corrido, almoço em 15 minutos, quando dá. Mas estou tão feliz que nem penso em cansaço”, afirma.

http://g1.globo.com/ceara/noticia/2012/03/aprovada-em-medicina-apos-12-anos-e-aplaudida-no-1-dia-de-aula-no-ce.html