Redes sociais: o uso exige cautela
Uma característica inerente às sociedades
humanas é sempre buscar novas maneiras de se comunicar: cartas,
telegramas e telefonemas são apenas alguns dos vários exemplos de meios
comunicativos que o homem desenvolveu com base nessa perspectiva. E,
atualmente, o mais recente e talvez o mais fascinante desses meios, são
as redes virtuais, consagradas pelo uso, que se tornam cada vez mais
comuns.
Orkut, Twiter e Facebook são alguns exemplos das redes sociais
(virtuais) mais acessadas do mundo e, convenhamos, a popularidade das
mesmas se tornou tamanha que não ter uma página nessas redes é
praticamente como não estar integrado ao atual mundo globalizado.
Através desse novo meio as pessoas fazem amizades pelo mundo inteiro,
compartilham ideias e opiniões, organizam movimentos, como os que
derrubaram governos autoritários no mundo árabe e, literalmente, se
mostram para a sociedade. Nesse momento é que nos convém cautela e
reflexão para saber até que ponto se expor nas redes sociais representa
uma vantagem.
Não saber os limites da nossa exposição nas redes virtuais pode nos
custar caro e colocar em risco a integridade da nossa imagem perante a
sociedade. Afinal, a partir do momento em que colocamos informações na
rede, foge do nosso controle a consciência das dimensões de até onde
elas podem chegar. Sendo assim, apresentar informações pessoais em tais
redes pode nos tornar um tanto quanto vulneráveis moralmente.
Percebemos, portanto, que o novo fenômeno das redes sociais se revela
como uma eficiente e inovadora ferramenta de comunicação da sociedade,
mas que traz seus riscos e revela sua faceta perversa àqueles que não
bem distinguem os limites entre as esferas públicas e privadas “jogando”
na rede informações que podem prejudicar sua própria reputação e se
tornar objeto para denegrir a imagem de outros, o que, sem dúvidas, é um
grande problema.
Dado isso, é essencial que nessa nova era do mundo virtual, os
usuários da rede tenham plena consciência de que tornar pública
determinadas informações requer cuidado e, acima de tudo, bom senso,
para que nem a própria imagem, nem a do próximo possa ser prejudicada.
Isso poderia ser feito pelos próprios governos de cada país, e pelas
próprias comunidades virtuais através das redes sociais, afinal, se
essas revelaram sua eficiência e sucesso como objeto da comunicação,
serão, certamente, o melhor meio para alertar os usuários a respeito dos
riscos de seu uso e os cuidados necessários para tal.
Redação de Camila Pereira Zuconi, Viçosa (MG). Texto extraído do
documento A Redação no ENEM 2012 – Guia do Participante disponível em
http://www.inep.gov.br/.
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Iniciaremos nossa análise a partir do
título, um item essencial em dissertações-argumentativas e, através
deles, podemos verificar que a candidata compreendeu a proposta e o seu
foco, pois já nele menciona as redes sociais e, inclusive, opina sobre
elas ao afirmar que é necessária a cautela.
Na introdução, ela recorre à história da tecnologia da comunicação
para resgatar a trajetória das relações interpessoais e à necessidade e
inerência (por causa da capacidade de falar) do homem de se comunicar, o
que já pontua na competência número dois que avalia a aplicação de
conhecimento de várias áreas para desenvolver o tema. Ao traçar essa
rota histórica, a candidata chega à internet, mais especificamente às
redes sociais e afirma que seu uso é cada vez mais comum e fascinante e,
assim, introduz sua tese, que será mais embasada no parágrafo seguinte,
ao citar as redes sociais mais famosas e afirmar que quem não tem conta
em alguma delas ou em nenhuma, praticamente não existe no mundo
globalizado (mais pontuação na segunda competência). Além disso, ela
cita a importância que estas redes têm nas relações entre as pessoas,
inclusive na sua atuação política, dando como exemplo e mostrando mais
conhecimento de mundo, a Primavera Árabe (o que “casou” com a proposta
de redação da segunda fase da Fuvest do mesmo ano, que tratava da
participação política; também no mesmo ano, a Unicamp, em sua primeira
fase, elaborou suas propostas de redação com a internet e seus usos e
consequências como pano de fundo. Às vezes isso acontece e é bom o
candidato que presta estes e outros exames lembrar-se, pois um pode até
ajudar no outro) e, daí, finalmente (o que aqui não é ruim) destaca sua
tese, dizendo que é preciso “cautela e reflexão para saber até que ponto
se expor nas redes sociais representa uma vantagem” (ZUCONI, C. P.
Redes sociais: o uso exige cautela In A Redação no ENEM 2012 – Guia do
Participante disponível em http://www.inep.gov.br/.).
Seu argumento principal vem logo em seguida, quando ela diz que não
saber dos limites da exposição nas redes sociais pode sair caro e até
colocar em risco a integridade da pessoa diante da sociedade, alegando
que ao colocar algo na rede, perde-se o controle desta publicação, o que
pode causar vulnerabilidade. Neste momento, a candidata poderia lançar
mão de uma estratégia argumentativa para fortalecer este argumento e dar
como exemplo casos recentes de crimes cibernéticos, como por exemplo,
manipulações e e-mails virais com fotos de pessoas famosas (artistas em
geral), citando nomes ou não. Ao fazer isso, apenas tenha certeza de que
o dado fornecido por você é verdadeiro, já que a redação não pode ter
incoerências externas.
No parágrafo seguinte, ela faz uma ponderação, o que mostra bom
senso: a candidata volta a afirmar a importância da internet na
comunicação humana, mas faz a ressalva de que ela é perigosa para
aqueles que não conhecem os limites entre o público e o privado ao
publicar informações que podem prejudicar moralmente quem as publicou,
além de poder denegrir a imagem alheia. Neste ponto, a autora também
poderia, para alicerçar melhor seu argumento, mencionar casos de
cyberbullying que, infelizmente, aumentaram com o uso das redes sociais e
de pessoas que “abusaram” das redes sociais e foram prejudicadas de uma
forma ou de outra (foi mandada embora do emprego, por exemplo). Dar
exemplos que você conhece não tem problema, desde que seja feito de modo
impessoal, isto é, usando a terceira pessoa e não a primeira, já que em
dissertações-argumentativas o foco está nas ideias e não no autor.
No último parágrafo, a candidata parte para a conclusão, lugar comum
para a proposta de intervenção social, última competência a ser julgada.
Ela reafirma a importância da consciência e do bom senso ao se utilizar
as redes sociais e diz que isso poderia ser alcançado através de ações
conjuntas entre os governos e as próprias redes sócias. Apesar de ser
uma proposta de solução simples, é inovadora, pois sugere uma parceria
entre governo e redes sociais.
Além de tudo o que foi esmiuçado acima, a autora escreveu seu texto
mostrando domínio da norma culta da Língua Portuguesa, além de
demonstrar um bom uso dos recursos linguísticos a fim de produzir um
texto coeso e coerente dentro do tipo textual
dissertativo-argumentativo.
Na próxima semana, abordaremos mais especificamente a quinta
competência avaliada pela grade de correção do ENEM: a proposta de
intervenção social. Até lá!
*CAMILA DALLA POZZA PEREIRA é graduada em
Letras/Português pela UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas/SP –
Atua na área de Educação exercendo funções relativas ao ensino de Língua
Portuguesa, Literatura e Redação. Foi corretora de redação na 1ª fase e
de Língua Portuguesa na 2ª fase do vestibular 2013 da UNICAMP –
Universidade Estadual de Campinas/SP. Participou de avaliações e
produções de diversos materiais didáticos, inclusive prestando serviço
ao Ministério da Educação.
**Camila também é colunista semanal sobre redação do
infoEnem. Um orgulho para nosso portal e um presente para nossos
leitores! Suas publicações serão sempre às quintas-feiras, não percam