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sexta-feira, 4 de abril de 2014

Candidato já pode ver correção de redação do Enem 2013

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) colocou à disposição nesta quarta-feira (2) os espelhos com as correções das redações do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2013. Para acessar o resultado, o candidato precisa entrar na página do Inep e inserir a senha e o número do CPF. O acesso tem apenas caráter pedagógico, pois os alunos não podem mais recorrer para alterar a nota da prova. A redação do ano passado teve como tema "Os efeitos da implantação da Lei Seca no Brasil".
 
  NÚMEROS DA REDAÇÃO DO ENEM 2013
Total corrigido
5.049.248 redações
Nota 1.000
481 redações
Nota zero
106.742 redações
Em branco
32.991 redações
Anuladas
73.751 redações
Fuga ao tema
1.398 redações
Fonte: Inep     
Ao todo, foram corrigidos 5.049.248 textos. Desses, 481 obtiveram nota mil, a pontuação máxima. Outras 32.991 redações foram deixadas em branco e 73.751, anuladas, totalizando 106.742 com nota zero.
Segundo o Inep, 48,9% dos textos tiveram com nota igual ou abaixo de 500 pontos, considerada a pontuação média. A maior concentração (27,9%) ficou na faixa de 501 a 600 pontos. Menos de 1% conseguiu mais de 900 pontos.
A principal novidade no Enem 2013 é exatamente sobre os critérios de correção da redação. Desvios gramaticais ou de convenções de escrita só foram aceitos como exceção quando não apresentaram reincidência. Além disso, receberam nota zero 1.398 redações (0,028% do total) que apresentaram parte do texto deliberadamente desconectada com o tema proposto. Em 2012, candidatos conseguiram nota mesmo quando inseriram no meio do texto uma receita de miojo ou o hino do Palmeiras.
No espelho da correção, o candidato pode saber qual foi o resultado em cada uma das cinco competências avaliadas e comparar seu desempenho com o dos demais. A prova exige a produção de um texto do tipo dissertativo-argumentativo. Isso significa defender uma ideia, expor a opinião e argumentar.
As competências exigidas na redação do Enem são:
1) Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa;
2) Compreender a proposta da redação e aplicar conceitos das varias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo em prosa;
3) Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista;
4) Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação;
5) Elaborar uma proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.
Para essa edição, o Enem contou com 7.121 avaliadores. As redações foram avaliadas por dois corretores independentes, que atribuíram nota de zero a 200 pontos para cada competência. Uma terceira correção foi feita em caso de discrepância maior que 100 pontos na soma total (em 2012, a diferença deveria ser de 200 pontos) ou maior que 80 pontos em uma ou mais competências. Se a discrepância persistisse, a redação deveria ser encaminhada a uma banca especial, formada por três membros e responsável por atribuir a nota final.
Ao todo, foram encaminhadas 2.496.754 redações (50%) para um terceiro corretor. Já a banca de especialistas analisou 306.821 textos, correspondentes a 6% do total.
Espelho da redação do Enem mostra a pontuação final e a comparação com outros candidatos (Foto: Reprodução/Inep)

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Candidatos do Enem protestam contra correção da redação


São Paulo - Candidatos do Enem 2012 devem sair em passeata em pelo menos 13 cidades do País na tarde desta quarta-feira, 2, para protestar contra a correção da redação. Os alunos querem que o Ministério da Educação (MEC) garanta o direito à vista da prova e a possibilidade de revisão dos textos para quem se sentir prejudicado.
Os protestos estão sendo organizados via Facebook. Só o grupo "Ação Judicial - Redação Enem 2012" reunia 25,3 mil membros até as 12h15 desta quarta. A comunidade foi criada na última sexta-feira, após a divulgação dos boletins de desempenho dos candidatos do Enem.
A redação tem forte impacto na nota final do exame, que é utilizado como vestibular pela maioria das instituições públicas de ensino superior do País. As inscrições para as 129 mil vagas do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) começam na segunda-feira, 7.
Os participantes do grupo lançaram um abaixo-assinado virtual para subsidiar uma eventual ação judicial com pedido de liminar contra a União e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão do MEC responsável pelo Enem. O documento, que já tem 8,5 mil assinaturas, deve ser entregue ao Ministério Público Federal (MPF) e à Defensoria Pública da União (DPU) nesta quarta.
Na petição pública, os estudantes dizem querer a concessão de vista da prova de redação "em tempo hábil para contestação" bem como o direito a recurso administrativo. "Destacamos a necessidade de urgência da ação ante a necessidade de se inscrever no Sisu, que é o único critério para selecionar candidatos a vagas na maioria das universidades federais", afirma o documento.
O Inep não aceita pedidos de revisão da nota da redação. Segundo a Assessoria de Imprensa do MEC, neste ano será cumprido o Termo de Ajustamento de Conduta assinado com o MPF para que os candidatos tenham acesso ao espelho da correção da prova. A "vista pedagógica" estará disponível a partir de 6 de fevereiro, pela internet.
Ainda de acordo com o MEC, foram tomadas outras "medidas de aperfeiçoamento" na correção da redação. Entre elas a diminuição da discrepância entre as notas dadas pelos dois avaliadores para que o texto fosse lido por um terceiro corretor, além da criação de uma "segunda instância", ou seja, uma nova banca avaliadora, para os casos em que as discrepâncias persistiram após a análise do terceiro corretor. "Os critérios estavam bem definidos e todos os itens do edital foram seguidos", afirma o ministério.
Os alunos insatisfeitos com a correção, no entanto, dizem que não estão reclamando de notas baixas, mas de "notas injustas" e da "arbitrariedade" do Inep por não conceder possibilidade de revisão da pontuação. No Facebook, o grupo argumenta que "o problema da redação não é pontual e tem que ser resolvido com seriedade" pelo MEC. Segundo os estudantes, a correção funciona como um sorteio de loteria.