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terça-feira, 18 de junho de 2013

Estudantes cotistas representam 42% dos inscritos no Sisu

Estudantes cotistas e não cotistas tiveram uma diferença de aproximadamente 4% na média das notas de corte em licenciaturas, engenharia, medicina e pedagogia no Sistema de Seleção Unificado (Sisu). Diferença pouca, disse o ministro da Educação, Aloizio Mercadante. São beneficiados pela Lei de Cotas (Lei 12.711/2012) os estudantes que cursaram todo o ensino médio em escolas públicas.  

De acordo com balanço divulgado nesta segunda-feira pelo Ministério da Educação (MEC), a média das notas de corte de medicina foi 758 para cotistas e 784 para a ampla concorrência (diferença de 3,3%). Em engenharia, a média para as cotas foi 682 e para a ampla concorrência, 716 (4,7%). Em pedagogia, 599 para cotistas e 620 para a ampla concorrência (3,3%) e, em licenciaturas, 611 para cotas e 640 para os demais (4,5%).  

Segundo o MEC, os estudantes cotistas representam 42,4% dos inscritos no Sisu. Foram 334.461 cotistas inscritos em um total de 788.819 candidatos. Cada estudante podia concorrer a até duas opções de curso. Em relação ao número de inscrições, os cotistas foram 493.613, o equivalente a 32,32% do total das 1.527.444.
A maior parte dos cotistas inscritos (143.594 estudantes) é preta, parda ou indígena e tem renda familiar igual ou inferior a 1,5 salário mínimo: R$ 1.017.
O ministro Aloizio Mercadante informou que 33% das vagas nas instituições públicas serão destinadas aos cotistas no segundo semestre. 

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Lei das Cotas já afetará o vestibular deste ano

Quem prestar vestibular no fim deste ano já poderá ser afetado pela Lei das Cotas, aprovada anteontem pelo Senado. O texto vai ser sancionado pela presidente Dilma Rousseff em até 15 dias e passará a valer assim que for publicado. As universidades federais terão até quatro anos para se adaptar às novas regras, mas até um ano para adotar ao menos 25% do que a lei prevê - ou seja, terão de implementar o novo modelo de cotas em uma escala menor. Reitores criticaram a medida, alegando que ferem a autonomia universitária.

A federal que promove apenas um vestibular por ano terá necessariamente de adotar esse sistema de cotas em seu exame do final de 2012 ou início de 2013. Já universidades que realizam duas provas anuais, como a UnB, de Brasília, poderão adotar o novo sistema só em meados do ano que vem.
A nova lei prevê que 50% das vagas de todos os cursos e turnos das federais sejam reservadas a estudantes que cursaram todo o ensino médio em escola pública. Uma parte dessas vagas deve ser dedicada a negros, pardos e índios, e outra a alunos com renda familiar igual ou menor a 1,5 salário mínimo per capita. A maioria da universidades já adota algum tipo de ação afirmativa, mas poucas atingem um porcentual de 50% das vagas.
Em meio à satisfação da presidente Dilma Rousseff e ao descontentamento dos reitores, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, optou por não comentar nada sobre a aprovação da lei das cotas.
Oficialmente, ele quer primeiro conversar com a presidente, se inteirar sobre o assunto, para só então se manifestar. Nos bastidores, a conversa é outra. Entre os que trabalharam pela aprovação do projeto de lei é quase unânime a tese de que Mercadante nunca foi simpático ao sistema.
Ele teria, até mesmo, pedido várias vezes que o projeto não entrasse na pauta de votação - resistência atribuída à rejeição do tema no Estado de São Paulo, seu reduto eleitoral. Mas o cenário foi ficando cada vez mais propício para a votação dessa lei especialmente após a aprovação pelo Supremo Tribunal Federal da constitucionalidade das cotas.
Outro facilitador, acreditam interlocutores, foi a saída de Demóstenes Torres (sem partido-GO) do Senado, que sempre foi forte opositor das cotas e grande agregador de parlamentares.
Aprovado o projeto, a quebra da autonomia universitária é a principal crítica de reitores à decisão do Senado. Representante dos reitores, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) posiciona-se contra o projeto desde que a tramitação começou.
“Quase todos os reitores são a favor de políticas afirmativas, mas as ações devem ser estabelecidas a partir da autonomia, respeitando a especificidade de cada região”, afirma o presidente da Andifes, Carlos Maneschy, reitor da Federal do Pará (UFPA).
“Aqui no Pará definimos cota de 50% para escola pública, nem haverá grande mudança. Mas fomos nós que decidimos e essa fórmula não pode ser aplicada em todas.”
Para o reitor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Walter Albertoni, a definição de 50% é preocupante e pode resultar em queda de qualidade de ingressantes, principalmente em cursos mais exigentes, como Medicina. “Ainda não dá para saber como vai ser o desempenho com esse porcentual”, diz ele. A Unifesp reserva 10% de vagas de cada curso e o desempenho dos alunos é considerado bom, segundo Albertoni.
O reitor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Helio Waldman, discorda. Segundo ele, é imprescindível porcentual como esse. “Não adianta colocar cotas pequenas. Quando se tem 10%, por exemplo, frequentemente a nota de corte é até superior ao dos não cotistas, pois essas vagas serão preenchidas por alunos vindos de escolas técnicas e colégios militares, que, em geral vêm de famílias com renda alta”, diz ele.
Intromissão
O reitor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Roberto Salles, criticou a “intromissão indevida” do Congresso. “O Senado está transferindo a responsabilidade do ensino médio de qualidade, que cabe aos governadores e prefeitos, para as universidades. Estão passando o pepino”, afirmou Salles. Recentemente, a UFF aprovou a reserva de 25% das vagas.
A Universidade Federal da Bahia (UFBA) precisará de poucos ajustes para se adequar à lei. “Nossa política de cotas é semelhante à aprovada pela Câmara”, diz a reitora Dora Leal Rosa.
Em vigor desde 2004, o sistema de cotas da UFBA reserva 43% das vagas a estudantes que tenham cursado todo o ensino médio - além de pelo menos um ano do ensino fundamental - em escolas públicas. Além disso, oferece 2% das vagas a descendentes de índios. Dentro da cota, 85% são direcionadas a negros e pardos, seguindo as proporções da população baiana

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Senado aprova cota de 50% em universidades federais

O Senado aprovou nesta terça-feira projeto de Lei que prevê que 50% das vagas em universidade federais sejam reservadas para quem cursou o ensino médio integralmente em escolas públicas, unificando assim a divisão das vagas por cotas sociais e raciais. De autoria da deputada federal Nice Lobão (PSD-MA), a proposta, já aprovada na Câmara, ainda tem de passar pela sanção da presidente Dilma Rousseff, que é entusiasta do projeto.

Dessa porcentagem, metade será destinada a estudantes cuja renda familiar é igual ou inferior a 1,5 salário mínimo por pessoa. Paralelamente, para os 50% de todas as vagas da instituição de ensino, serão aplicados também critérios raciais. Estudantes autodeclarados negros, pardos e indígenas terão cotas proporcionais ao número desse grupo de pessoas que vivem no Estado onde está localizada a universidade, com base em dados do último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), não importando a renda per capita do aluno.
Em São Paulo, por exemplo, aproximadamente 30% da população se declara negra, parda ou indígena. Já na Bahia, esse número chega aos cerca de 70%. No caso de não preenchimento dessa cota racial, as vagas remanescentes serão ocupadas por estudantes que fizeram todo o ensino médio na rede pública.
Assim que sancionada pela presidente Dilma, a lei modificará todo o sistema de divisão de vagas das universidades federais. Atualmente, quase todas elas utilizam algum sistema de cota social, racial ou de gênero, que deixarão de lado para adotar este modelo único. A lei não modifica em nada o sistema de adesão nas universidades estaduais nem nas particulares, que poderão continuar a escolher se adotam ou não algum sistema de cotas. Segundo o texto aprovado pelo Senado, a aplicabilidade desse sistema será revisada em dez anos.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Por 10 votos a 1, STF aprova cotas sociais da federal do RS


O relator Ricardo Lewandowski afirmou que cada universidade tem liberdade para definir os critérios de seu sistema de ingresso. Foto: Gervásio Baptista/STF/Divulgação
O relator Ricardo Lewandowski afirmou que cada universidade tem liberdade para definir os critérios de seu sistema de ingresso
Foto: Gervásio Baptista/STF/Divulgação
A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) julgou constitucional a reserva de vagas (o sistema de cotas sociais) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) no vestibular. O candidato Giovane Pasqualito Fialho, que não conseguiu ingressar na instituição, apesar de ter pontuação maior que outros que entraram por cotas, questiona o sistema, afirmando que ele viola o princípio constitucional da isonomia. Há duas semanas, o STF julgou um caso parecido, no qual foi a favor, por unanimidade, à reserva de vagas para negros na Universidade de Brasília (UnB).
Na UFRGS, as cotas privilegiam tanto os estudantes oriundos do ensino público, quanto os negros. O advogado de Fialho e professor da Universidade do Vale dos Sinos (Unisinos), Gustavo Bohrer Paim começou o julgamento ao lembrar dos casos de famílias pobres que se esforçam e poupam para colocar os filhos em colégios particulares e não podem participar das cotas. Alunos de colégios públicos de excelência e aqueles que conseguem fazer cursinhos pré-vestibulares acabam por ter vantagens sobre os demais.
O advogado defende durante o julgamento que a UFRGS só teria um programa efetivamente social se o critério para a reserva das vagas fosse a renda dos candidatos, e não apenas a formação em escola pública.
Já a universidade afirma que seu programa vai de acordo com a Constituição e com o interesse da sociedade. "Ela (a universidade) tem o poder e dever de dispor suas vagas de maneira a contentar o maior número de grupos", disse a defesa da UFRGS. "Hoje ela (a instituição de ensino) é muito mais parecida com a sociedade gaúcha."
O relator Ricardo Lewandowski defendeu em rápido voto o sistema e afirma que cada universidade tem liberdade para definir os critérios de seu sistema de ingresso. Logo após Lewandowski, a ministra Rosa Weber, gaúcha e formada pela UFRGS, acompanhou o relator. Em seguida, Luiz Fux afirmou que a solução de reservar 30% das vagas para alunos de escolas públicas, sendo metade destas para negros, "consegue ser mais perfeita" que a étnico-social, como ocorre na UnB.
Os ministros Cármen Lúcia, Joaquim Barbosa, Cezar Peluso, Dias Toffoli, Celso de Mello e o presidente do STF, Carlos Ayres Britto, acompanharam o relator. Gilmar Mendes também acompanhou, mas chamou atenção para o caso de Porto Alegre, cidade na qual há vários colégios públicos de excelência e que podem acabar ainda mais elitistas que os particulares devido às cotas.
Marco Aurélio Mello foi o único favorável ao recurso, ou seja, contra as cotas da UFRGS. Mello foi a favor das cotas raciais, já que visam corrigir uma injustiça histórica. Para ele, a reserva de vagas para oriundos do ensino público é discriminatório porque não se pode presumir que quem estuda nessas escolas não consegue acesso à universidade. O voto do ministro levou a um princípio de discussão com Joaquim Barbosa, que reiterou seu voto.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Movimento negro comemora legalização de cotas nas universidades


A decisão desta quinta-feira (26), do Supremo Tribunal Federal (STF), entrará para a história do movimento negro no país, que comemora a votação favorável à legalização do sistema de cotas raciais nas universidades públicas. "É uma vitória do movimento negro. Temos feito um debate de ações afirmativas. Essa luta especificamente travamos desde 2003, com a implantação das cotas em várias universidades", afirmou Edson França, presidente da Unegro.


STF cotas raciais
Movimento negro acompanha julgamento no Supremo sobre sistema de cotas / foto: José Cruz/ABr

A União de Negros pela Igualdade (Unegro) acrescenta que as cotas raciais só se tornaram realidade por conta da unificação do movimento em torno de pautas importantes para igualdade racial e combate à discriminação. 

Leia também:
STF julga ações contra cotas raciais em universidades públicas

"Temos um debate consensual e por conta disso  conseguimos aprovar as cotas raciais várias universidades. O DEM (Partido dos Democratas) entrou com essa ação mostrando mais uma vez ser um partido dos senhores de engenho", completou o presidente da Unegro.

Edson França se refere a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 186), de autoria do Democratas (DEM), contra a Universidade de Brasília (UnB), que reserva 20% das vagas do vestibular para estudantes negros e que foi julgada ontem e hoje. A instituição é pioneira nas cotas raciais. O argumento do partido, defendido principalmente pelo senador Demóstenes Torres, mergulhado em um escândalo de corrupção, era de que as cotas raciais ferem o princípio da igualdade.

O Supremo também julgou um Recurso Extraordinário (RE 597285) movido por um estudante gaúcho que foi eliminado do vestibular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Ele obteve notas superiores às dos cotistas e contestou sua eliminação, já que a UFRGS reserva 30% das vagas para quem estudou na rede pública - metade destinada aos candidatos que se declararem negros na inscrição.

O relator das duas ações, o ministro Ricardo Lewandowski, já havia proferido na quarta-feira (25) seu voto favorável à constitucionalidade das cotas raciais.

“Não basta não discriminar. É preciso viabilizar. A postura deve ser, acima de tudo, afirmativa. É necessária que esta seja a posição adotada pelos nossos legisladores. A neutralidade estatal mostrou-se, nesses anos, um grande fracasso”, justificou Lewandowski.

Nesta quinta, os ministros Luiz Fux, Rosa Maria Weber, Cármen Lúcia, Joaquim Barbosa, Cezar Peluso e Gilmar Mendes acompanharam o voto de Lewandowski, formando a maioria. Eram necessários seis votos favoráveis. Até o fechamento da matéria, mais três ministros ainda faltavam dar seus votos para o encerramento da sessão.

Fux reforçou, em seu voto, que a raça pode e deve ser critério político de análise para ingresso na universidade, como acontece em outros países.

“A construção de uma sociedade justa e solidária impõe a toda coletividade a reparação de danos pretéritos perpetrados por nossos antepassados”, ponderou Fux.

Por dar mais oportunidades de acesso à universidade e equilibrar as oportunidades sociais, a ministra Rosa Weber engrossou a votação do "sim" às cotas: “Se os negros não chegam à universidade, não compartilham a igualdade de condições com os brancos”. Para ela, quando o negro se tornar visível na sociedade, “política compensatória alguma será necessária”.

Já a ministra Cármen Lúcia lembrou que essa não é a melhor opção, mas que políticas compensatórias contribuem na busca pela igualdade.

“As ações afirmativas não são as melhores opções. A melhor opção é ter uma sociedade na qual todo mundo seja livre par ser o que quiser. Isso é uma etapa, um processo, uma necessidade em uma sociedade onde isso não aconteceu naturalmente”.

Da redação, com agências

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Cotas Nota de Corte / Sisu – Medicina – 17/01/2011


Nome Instituição
Local de Oferta
Vagas
Modalidade
Nota de Corte – ENEM 2010
UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO
CAMPUS DO BACANGA
12
Escolas Públicas
725,20
12
Negros de Escolas Públicas
701,04
01
Indígena
643,22
01
Portadores de Deficiência
711,26
UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO
CAMPUS UNIVERSITÁRIO MORRO DO CRUZEIRO
12
Escolas Públicas
776,97
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO JOÃO DEL REI
CAMPUS CENTRO-OESTE
01
Escolas Públicas
751,27
01
Negros e Indígena de Escolas Públicas
720,19
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
UNIDADE SEDE
01
Escolas Públicas
750,14
02
Negros de Escolas Públicas
746,16
FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO VALE DO SÃO FRANCISCO
CAMPUS CENTRO
40
Escolas Públicas
731,54
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ
UNIDADE SEDE
08
Escolas Públicas
688,99
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ
CAMPUS I - CENTRO CURITIBA
03
Escolas Públicas
761,04
03
Negros de Escolas Públicas
741,34
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
CAMPUS - RIO DE JANEIRO - ILHA DO FUNDÃO
38
Escolas Públicas
746,22
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MACAÉ
12
Escolas Públicas
714,10
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS
UNIDADE SEDE
10
Escolas Públicas
762,57
06
Negros de Escolas Públicas
710,81