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sexta-feira, 3 de maio de 2013

Em MG, alunos pagam até R$ 50 mil para fraudar vestibular de medicina


O Unipam (Centro Universitário de Patos de Minas), em Patos de Minas (393 km de Belo Horizonte), cancelou nesta sexta-feira (3) a matrícula de quatro estudantes do curso de medicina, após receber relatório da Polícia Civil de Minas Gerais apontando fraude no último vestibular da instituição.

"Ficou provado que não foram eles que fizeram as provas. Eles contrataram pessoas para fazerem a prova e depois se matricularam", afirmou Luís Mauro Sampaio, delegado responsável pelas investigações. Sampaio, porém, explicou que é difícil chegar aos dublês de candidatos. "São quadrilhas organizadas que agem em todo o país e são investigadas pela Polícia Federal", disse.De acordo com as investigações policiais, os estudantes Danilo Barbosa Resende, 18, de Porangatu (GO), Marcos Lázaro Donato Barbosa, 23, de Guanambi (BA), Eduardo Bodanesi Fontana, 33, de Lajes (SC), e Artur Queiróz de Oliveira, 28, de Natal (RN), pagaram entre R$ 20 mil e R$ 50 mil para que outras pessoas fizessem o processo seletivo no lugar deles, em novembro do ano passado.
Além do relatório entregue nesta quinta-feira (2) para a direção do Centro Universitário, o delegado diz que vai entregar na segunda-feira (6) as conclusões das investigações para o Ministério Público, com pedido de abertura de processo penal contra os estudantes. Eles foram autuados por falsidade ideológica, falsidade documental e estelionato. As penas máximas para esses crimes chegam a 14 anos de prisão. Os estudantes não têm antecedentes criminais.
O advogado Cássio Araújo, contratado pelos estudantes, afirmou que "eles negam as provas produzidas no inquérito policial". Araújo também disse que, embora não tenha tido tempo de se aprofundar no caso, ele pretende "contradizer na Justiça as provas produzidas no inquérito policial".  O advogado ainda informou que não sabe se vai recorrer da decisão do Unipam de desligá-los do curso. "Isso depende dos meus clientes. Ainda não conversamos sobre isso".

Quem é Delfim Netto?

"Sequer cogitamos uma expulsão, após receber o relatório da polícia. Como eles não fizeram as provas de vestibular, não poderiam fazer a matrícula. Simplesmente, cancelamos a matrícula deles. No segundo semestre, temos quatro vagas de segunda chamada", disse o diretor de graduação e coordenador do vestibular do Unipam, Henrique Miranda.
O professor explica que, logo após a matrícula, houve uma denúncia anônima de fraude no vestibular. Assim, foram aplicadas redações para os 60 alunos que passaram no vestibular. Esses testes e as redações do processo seletivo foram repassados para a polícia pela Unipam, como pedido da investigação.
Após quatro meses de apuração, a polícia identificou os estudantes. Eles foram ouvidos e tiveram comparadas as letras escritas nas redações feitas em sala de aula com a tipografia da prova de redação do vestibular, assim como as assinaturas na matrícula e nos exames seletivos.
Segundo o delegado, os quatro não foram detidos porque são réus primários. Sampaio explicou que, além dos exames grafotécnicos, foram avaliados os conhecimentos desses estudantes. Nas investigações, foram mostrados aos suspeitos trechos da prova de redação do vestibular, para que eles pudessem reconhecer as frases escritas. Na prova de Danilo Barbosa Resende, por exemplo, havia a palavra "iconográfico", uma referência ao "homo sapiens" e uma citação sobre o ex-ministro Delfim Netto.
O delegado perguntou ao estudante se ele sabia o significado das expressões e se conhecia o ex-ministro citado no texto. "Quem é Delfim Netto?" O aluno não conhecia as expressões e nem sabia quem é Delfim Netto.
"A Unipam prezou pela questão futura. Esses profissionais seriam indivíduos que entraram sem nenhum mérito e se tornariam médicos. Como seria o atendimento dessas pessoas aos doentes?", questiona o delegado.
O curso de medicina da Unipam oferece 60 vagas por ano. Em média, são 30 estudantes disputando uma vaga. A matrícula e mensalidades custam em torno de R$ 4.000, dependendo do período que o aluno está cursando.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Polícia do Pará prende oito pessoas por tentativa de fraude em vestibular


Suspeitos foram flagrados na prova com documentos de outros candidatos.
Eles receberiam até R$ 15 mil se passassem no curso de medicina.

Do G1, em São Paulo


A Polícia Civil do Pará investiga uma tentativa de fraude no vestibular do Centro Universitário do Pará (Cesupa), que aplicou provas na manhã do domingo (13) para mais de 5 mil candidatos. De acordo com a polícia, oito pessoas foram presas em flagrante durante a prova, sendo três homens e cinco mulheres. Sete delas, com idades entre 18 e 23 anos, se faziam passar por candidatos durante a prova, e um homem foi apontado como o chefe do grupo.
Ainda segundo a polícia, eles serão indiciados por cinco crimes, entre eles falsidade ideológica e formação de quadrilha.
Em entrevista coletiva, o vice-reitor do Cesupa, Sérgio Mendes, afirmou nesta segunda-feira (14) que o vestibular não será anulado por causa da ocorrência, e que o resultado será divulgado até 25 de novembro, seguindo o cronograma inicial.
Segundo a assessoria de imprensa da instituição, os sete detidos são estudantes de medicina ou "pessoas com QI elevado". Caso conseguissem nota suficiente para aprovação da carreira de medicina, receberiam entre R$ 10 mil e R$ 15 mil reais cada, de acordo com depoimento dado por eles ao delegado Rogério Morais, da Dioe (Divisão de Investigações e Operações Especiais).
Os supostos mandantes, todos candidatos a uma vaga em medicina, ainda não foram encontrados, segundo o Cesupa, mas também serão indiciados no inquérito.
Neste ano, o número de inscritos no processo seletivo do centro universitário cresceu 20%. A instituição oferece 1.810 vagas em 17 cursos. O mais procurado, neste ano, é o de medicina, com 23,29 candidatos por vaga.
Denúncia anônima
A polícia civil chegou até os suspeitos depois que a reitoria do Cesupa recebeu, em 10 de novembro, um e-mail anônimo alertando para a possível fraude.
Segundo a assesoria de imprensa do órgão, os sete candidatos flagrados com identidade falsa são de fora do Pará: três moram em São Paulo e os demais em Goiás e no Tocantins. Um homem de 35 anos seria o chefe do grupo.
A polícia rastreou o grupo e seguiu os suspeitos desde o momento em que chegaram a Belém para fazer a prova. Policiais civis se passaram por fiscais do vestibular e, depois do início da prova, prenderam os estudantes em flagrante.
O grupo, que segue preso em Belém à disposição da Justiça, responderá por falsificação de documento público (por portarem uma carteira de identidade com sua foto, mas o nome de outra pessoa), uso desse documento falso, formação de quadrilha, falsa identidade (ao se passarem por outra pessoa) e falsidade ideológica (porque assinaram a folha de presença e o caderno de prova se passando pelos candidatos realmente inscritos no vestibular).