quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Sisu vai oferecer 129.279 vagas em 3.751 cursos no primeiro semestre de 2013


Os candidatos que desejam disputar vagas de instituições públicas já podem consultar a distribuição das vagas por localidade, instituição, curso e turno no portal do Sistema de Seleção Unificada(Sisu). No primeiro semestre de 2013, serão oferecidas 129.279 vagas em 3.751 cursos de 101 universidades.
As inscrições para o Sisu estarão abertas entre 7 a 11 de janeiro próximo, pela internet. As regras e o cronograma da primeira edição de 2013 foram publicados nesta quarta-feira. A primeira chamada de selecionados está prevista para 14 de janeiro. Os convocados devem providenciar a matrícula em 18, 21 e 22 do mesmo mês. A segunda chamada será divulgada em 28 de janeiro, com matrícula em 1°, 4 e 5 de fevereiro.

Podem se candidatar às vagas os estudantes que participaram do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2012 e obteve nota na redação acima de zero. O estudante pode fazer até duas opções de curso. No momento da inscrição, terá de especificar, pela ordem de preferência, o curso ao qual pretende concorrer e de que forma — por meio de cotas decorrentes da Lei nº 12.711, de 29 de agosto último; de outras políticas afirmativas adotadas pelas instituições participantes do sistema ou pela ampla concorrência. Ao longo do período de inscrições, que vai até as 23h59 de 11 de janeiro de 2013, o estudante pode alterar ou cancelar as opções feitas.
Os estudantes que não forem selecionados nas duas primeiras convocações podem aderir à lista de espera. As instituições de ensino participantes do Sisu usam essa lista para convocar candidatos a vagas remanescentes. O prazo de adesão vai de 28 de janeiro a 8 de fevereiro. Caso ainda haja vaga no curso de primeira opção, o candidato será convocado pela instituição que tenha a vaga disponível.
* Com informações da Assessoria de Comunicação do MEC

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Cronograma SISU 2013


Os estudantes que prestaram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e obtiveram nota maior que zero na redação poderão se inscrever no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) a partir do dia 7 de janeiro de 2013. Com o Sisu, o estudante concorre a uma vaga para cursos de universidades e institutos federais de ensino superior. O Ministério da Educação ainda não divulgou o número de vagas disponíveis para o primeiro semestre de 2013. No segundo semestre de 2012, foram oferecidas 30 mil vagas.
De acordo com o cronograma do Sisu, publicado nesta quarta-feira no Diário Oficial da União, as inscrições vão até as 23 horas e 59 minutos do dia 11 de janeiro de 2013 (horário de Brasília) e devem ser feitas exclusivamente pela internet, no portal do Sisu. Uma vez inscrito no Sisu, o candidato concorre a vagas em dezenas de instituições públicas cadastradas em todo o país. Para a seleção do primeiro semestre de 2013 valerá a nota do Enem 2012, cuja divulgação, segundo o MEC, será feita nesta sexta-feira (28).
Segundo o edital, o estudante poderá se inscrever em até duas opções de vaga e deverá especificar a ordem de preferência, o local de oferta, o curso e o turno. Além disso, será possível escolher a modalidade de concorrência - em 2013, o Sisu se adequará à Lei de Cotas, de agosto de 2012. As inscrições serão gratuitas e as instituições de ensino deverão disponibilizar acesso à internet aos estudantes interessados.
O resultado da primeira chamada será divulgado no dia 14 de janeiro de 2013 e da segunda chamada, no dia 28 de janeiro, no site do Sisu e das instituições. No caso de notas idênticas, o desempate será feito pela seguinte ordem de critérios: nota na redação; nota em Linguagens, Códigos e suas tecnologias; nota em Matemática e suas Tecnologias; nota em Ciências da Natureza e suas Tecnologias e nota em Ciências Humanas e suas Tecnologias.
As matrículas serão feitas nas instituições nos dias 18, 21 e 22 de janeiro para a primeira chamada e 1º, 4 e 5 de fevereiro para segunda.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Universidades de São Paulo querem mais verba para cotas


As universidades estaduais de São Paulo - USP, Unesp e Unicamp - querem que o governo do Estado defina uma verba específica para financiar o programa de cotas dessas instituições. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) vai anunciar nesta quinta-feira  a proposta final que será levada para os respectivos conselhos universitários. Na Universidade de São Paulo (USP), a maior do País, o projeto será encaminhado para todas as faculdades antes da apreciação do colegiado.

De acordo com o reitor da USP, João Grandino Rodas, o único detalhe que falta para a definição da política de cotas é o orçamento. “Precisa de dinheiro, não é só trazer os alunos. Essa proposta (dos reitores) busca fazer com que todos possam ser acolhidos na universidade e tenham plena condição de seguir o curso”, disse Rodas. “Será um novo sistema de ingresso.”

A verba seria necessária para financiar a permanência estudantil por meio de bolsas de auxílio moradia e alimentação, por exemplo, além da estruturação do curso de reforço para alunos de escolas públicas.

O projeto prevê que, até 2016, metade das vagas da universidade seja preenchida por alunos de escolas públicas, como revelou o jornal O Estado de S. Paulo em novembro. A proposta foi discutida pelo Conselho de Reitores das Universidades Estaduais de São Paulo (Cruesp), que começou a debater o tema em outubro, quando o governador pediu a sua formulação após o governo federal regulamentar a Lei de Cotas para as federais. Historicamente, as universidades estaduais são contrárias à proposta de cotas.

As linhas finais do pacote têm sido mantidas em segredo. Ainda há uma série de indefinições em relação ao financiamento e ao modelo de reforço de aula para cotistas. Para o desenho da proposta, não foi realizado uma simulação específica de pontuação de vestibular e demais impactos. Mas, segundo Rodas, as universidades entregaram ao governo números da realidade das universidades para que o Executivo possa chegar a um valor que financie o projeto.

Na USP, as unidades da universidade terão oportunidade de sugerir mudanças, como revelou o reitor. Só depois é que a proposta seguirá para o Conselho Universitário, instância máxima da instituição. O plano é que o novo sistema entre em vigor em 2013.

O anúncio desta quinta-feira deve ser feito de forma que pareça que foram os reitores quem, voluntariamente, decidiram pelas cotas. A preocupação é em conservar a autonomia universitária, tema caro à comunidade acadêmica. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Aprovada em medicina após 12 anos é aplaudida no 1º dia de aula, no CE

Após tentar vestibular para medicina por 12 anos, Nágela Pinto teve os primeiros dias de aula na Universidade Estadual do Ceará (Uece) nesta semana. A cearense de 35 anos passou no último vestibular para medicina em 18° lugar e começou a assistir às aulas na segunda-feira (5) .

 “Quando eu entrei na sala de aula, foi emocionante. Me aplaudiram durante uns dez minutos”, conta. Lições de anatomia humana, metodologia do trabalho científico e monitoria fazem parte da rotina tão esperada por Nágela. Na primeira semana de aula na Uece, a história de dedicação da novata já era conhecida entre os 40 colegas de turma e professores da universidade. ''Tive a certeza de que é realmente o que eu quero para minha vida. Valeu a pena”, afirma a estudante sobre as impressões dos primeiros dias de aulas.

 No tradicional trote, Nágela conta que foi uma das mais “castigadas”. “Me batizaram com o nome 'carro parado' porque disse que gostava de namorar”, brinca. O apelido escolhido pelos alunos veteranos é em referência trechos da música “Motel Disfarçado”, um dos hits da banda Aviões de Forró.

 Durante o trote, os novatos tiveram de circular pelo campus com uma placa com o nome “batismo”. Além da dedicação ao curso de medicina, Nágela trabalha como servidora pública no curso de Secretariado Executivo na Universidade Federal do Ceará (UFC).

 A rotina de estudos e trabalho não é novidade para Nágela que fazia curso pré-universitário e estudava até a hora de ir para o trabalho antes de passar no vestibular. Atualmente, a estudante tem aulas das 7h30 às 16h no campus do Itaperi e, de lá, segue para o trabalho até 22h no Bairro Benfica. “Está muito corrido, almoço em 15 minutos, quando dá. Mas estou tão feliz que nem penso em cansaço”, afirma.

http://g1.globo.com/ceara/noticia/2012/03/aprovada-em-medicina-apos-12-anos-e-aplaudida-no-1-dia-de-aula-no-ce.html

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Treze mil médicos são diplomados ao ano, mas faltam profissionais



A cada ano no Brasil quase 13 mil alunos se formam em medicina segundo o Ministério da Educação. Mas, às vezes quando mais se precisa de um médico, ele não está lá. Mesmo numa cidade como São Paulo. Temos no país 371 mil médicos e o problema, segundo a categoria, não é a falta, mas a má distribuição deles. “Há uma concentração excessiva nas capitais e no litoral. Veja que na Região Sul, Sudeste, nos temos 70, em torno de 70% dos médicos do país.

 E na região Norte, temos o menor numero de médicos e, assim mesmo, uma grande maioria concentrado nas capitais”, afirmou Roberto D'ávila, presidente do Conselho Federal de Medicina. O governo discorda, diz que faltam sim médicos no Brasil e critica as entidades de classe. “Sob o pretexto que não é possível formar com qualidade, não apoiam a formação de novos médicos. Nós temos é que buscar garantir a qualidade, mas faltam médicos no Brasil”, ressaltou Aloizio Mercadante, ministro da Educação.

 O ministro mira em países como Portugal e Argentina, que tem mais de três médicos por mil habitantes. Por aqui os números variam, mas temos menos que dois por mil. Para chegar a 2,5 em 2020, foi criado o Plano Nacional de Educação Médica, lançado em agosto de 2011 durante a inauguração de uma nova faculdade em Garanhuns, Pernambuco. “O nosso objetivo é aumentar em 4,5 mil o numero de médicos formados ao ano. E também interiorizar os cursos de medicina, mantendo um elevado padrão de qualidade”, disse Dilma Rousseff na ocasião. Passar numa boa faculdade pública de medicina é um grande desafio.

 Em Garanhuns, no agreste de Pernambuco, não é diferente. No primeiro vestibular, cada vaga foi disputada por 56 candidatos. Quem passou só não sabia que depois teria que fazer muito mais do que estudar. Logo de cara, eles fizeram greve para conseguir um laboratório, mas ainda falta de tudo: cadáveres para o estudo de anatomia? Não tem. A biblioteca? Não está completa. É um não atrás do outro. Laboratório de Habilidades? Não tem ainda. Biotério? Pesquisa? Também não.

 O que deveria ser um hospital-escola. Também não é. “Esse hospital não tem condições de receber o estudante de medicina devido à falta de profissionais”, disse Carlos Roberto de Fraga, presidente do Centro Acadêmico. O diretor da faculdade reconhece que a correria não ajudou. “Nós tivemos 6 meses pra estruturação, vamos dizer assim, dessa parte inicial e aí atrasou o edital do concurso”, afirmou Pedro Falcão, diretor da Faculdade de Medicina de Garanhuns. Com professores temporários, sem a necessária dedicação exclusiva, os alunos temem pelo futuro do curso, que é uma extensão da universidade estadual. Há 20 anos o Brasil tinha 83, hoje tem 197 faculdades de medicina.

 É mais que Estados Unidos, que a China. No mundo só perdemos para a índia que tem 272 escolas médicas. A expansão foi sentida por faculdades particulares tradicionais como a Gama Filho, do Rio de Janeiro, que alega ter perdido espaço no mercado, a chance de ter mais alunos, diante da proliferação de faculdades privadas mais baratas e de acesso mais fácil. “Nós tivemos o problema da crise de concorrência no mercado, concorrência predatória. O impacto foi muito violento, foi muito forte”, revelou Gilberto Chaves, pró-reitor de saúde da Universidade Gama Filho.

 O impacto foi sentido na Santa Casa, que é o hospital conveniado, onde há mais de 40 anos os alunos da Gama Filho aprendem toda a parte prática do curso. Para cortar gastos, 140 professores da Gama Filho, que eram também médicos da Santa Casa. foram demitidos. No meio de enfermaria, uma aula reúne alunos de vários períodos. Essa é a união da medicina teórica com a prática. Uma cena que deveria se repetir várias vezes por dia, na Santa Casa do Rio de Janeiro. Mas não é o que acontece Para que pacientes e alunos não fossem totalmente abandonados, 40 médicos permaneceram dando aula de graça.

Alunos de medicina ficam espremidos em enfermarias em RO

Fraudadores de vestibulares cobravam até R$ 80 mil


A Polícia Federal prendeu sete líderes de quadrilhas que fraudavam vestibulares de medicina em faculdades de 11 estados e no Distrito Federal, nesta quarta-feira (12), na Operação Calouro. Segundo a PF, o valor das vagas girava em torno de R$ 45 mil a R$ 80 mil. Os esquemas funcionavam de duas maneiras: falsificação de documentos ou cola eletrônica. A Justiça expediu 70 mandados de prisão e a polícia ainda não divulgou o total de detidos no país. De acordo com a PF, empresários, um médico, um engenheiro e um estudante de medicina comandavam as quadrilhas e, em um ano e meio, mais de mil candidatos teriam tentado se beneficiar do esquema.
A PF informou que seis líderes de quadrilhas estavam no estado de Goiás e um em Minas Gerais. "Porém, não havia uma única área de atuação. Em qualquer faculdade de medicina em que um grupo, de pelo menos 20 candidatos, fosse cliente da quadrilha, o esquema era realizado. Dificilmente esses alunos ou as pessoas que atuavam no momento do vestibular eram do próprio estado onde acontecia a prova", explicou o delegado federal responsável pela operação, Leonardo Damasceno.
Equipamento usado em fruade em vestibular (Foto: Assessoria de Comunicação/ PF-ES)Equipamento usado em fraude em vestibular
(Foto: Assessoria de Comunicação/ PF-ES)
A operação acontece em Goiás,Mato Grosso, Rondônia,Bahia, Rio Grande do Sul, São Paulo, Espírito Santo,Santa Catarina, Minas Gerais,Rio de Janeiro, Pará e Distrito Federal. Informações iniciais dão conta de que duas pessoas foram presas no Espírito Santo, até o final da manhã desta quarta-feira. São dois homens, um preso em Vila Velha e outro em Vitória. Eles atuavam como "corretores" no esquema das quadrilhas.
Seis líderes foram presos em Goiás, entre eles um engenheiro, empresários e um médico (que já possui passagens pela polícia por tentativa de fraude em concurso público e formação de quadrilha). O sétimo foi preso é um estudante de medicina, detido em Minas Gerais durante a operação. "Todos os envolvidos formaram um patrimônio gigantesco, mas são pessoas que podem comprometer imensamente a saúde pública, pois não são preparadas para cursarem esta faculdade", afirmou o delegado federal.
Os detidos responderão a inquérito pelos crimes de formação de quadrilha, falsidade ideológica, falsificação de documento, uso de documento falso e lavagem de dinheiro, segundo a Polícia Federal.

Na outra modalidade, um membro da quadrilha fazia a prova rapidamente e saia da sala. Esse falso candidato que resolvia a prova era chamado pelos integrantes das quadrilhas de "piloto", pois deveria ser rápido para resolver as questões, e também era aluno de medicina. De posse do gabarito, ele conferia o resultado e passava as informações por meio de uma escuta eletrônica ou por celular para o candidato. Antes da prova, os candidatos que contratavam os serviços das quadrilhas eram treinados para que soubessem como agir no momento de receber as respostas.
O esquema

O delegado detalhou que o esquema funcionava de duas maneiras. Na mais simples, uma pessoa envolvida na quadrilha falsificava documentos e fazia a prova no lugar do verdadeiro candidato. Essa pessoa que realizava a prova quase sempre era um aluno de medicina com boas notas na faculdade.
O valor do serviço contratado por um candidato girava entre R$ 45 mil a R$ 80 mil. O dinheiro só era entregue após o cliente/candidato ter sido aprovado na faculdade. O líder repassava para o "piloto" valores entre R$ 5mil e R$ 15 mil. Parte do pagamento também era entregue ao "corretor", responsável por aliciar candidatos para entrarem no esquema. Essas pessoas, geralmente, eram médicos. O líder também possuía um assistente que treinava os candidatos/clientes para receber a cola, escolhia os equipamentos tecnológicos e falsificava os documentos.
Resposta de questão em vestibular (Foto: Assessoria de Comunicação/ PF-ES)Resposta de questão em vestibular
(Foto: Assessoria de Comunicação/ PF-ES)
A atuaçãoDe acordo com a PF, as quadrilhas atuavam, na maioria das vezes, em faculdades particulares e algumas estaduais. Os nomes das faculdades não foram divulgados pela polícia, mas a estimativa é de que sejam pelo menos 30 unidades de ensino superior em todo o Brasil. "A carência de vagas na rede pública e a disputa acirrada tanto das federais quando nas particulares, alimenta esse tipo de esquema, uma vez que os candidatos se atraem pela facilidade. Essas quadrilhas investigadas não atuavam nas universidades federais devido ao Enem, uma seleção muito maior e com mais restrições no momento das provas", explicou o delegado. Somente no período de um ano e seis meses, foram registrados a atuação da quadrilha em 53 vestibulares.
No Espírito Santo, a última atuação da quadrilha foi abortada pela Polícia Federal. A tentativa aconteceu no vestibular do Centro Universitário do Espírito Santo - Unesc, no final de 2011. Os alunos concorriam a vagas no curso de medicina na cidade de Colatina, região Noroeste do estado, para iniciarem o curso em 2012.
Na época, um aluno de medicina utilizou um óculos com câmeras para registrar as questões das provas. Ele se candidatou para fazer a seleção e deveria sair com os registros da prova e resolver as questões. Os resultados seriam ser repassados para os aparelhos eletrônicos para os candidatos que estavam fazendo a prova e haviam contratado o serviço.
A polícia comunicou a Unesc, que conseguiu evitar a fraude, e os suspeitos foram detidos pela Polícia Civil pelos crimes de falsidade ideológica. "Na época, tínhamos apenas as informações de duas quadrilhas, mas por meio das investigações baseadas nessa prisão, descobrimos que eram muitos mais fraudadores", afirmou Damasceno.
O delegado enfatizou que as faculdades não têm envolvimento com as fraudes. "São vítimas desses criminosos, pois as instituições querem os melhores alunos para seu quadro de estudantes. As instituições colaboraram muito com as investigações e seguiram à risca nossas orientações para assegurar as seleções", afirmou.
A Polícia Federal comunicará às faculdades os candidatos que foram identificados durante as investigações. "Esses alunos não possuem um vínculo permanente com a quadrilha. Nós faremos uma notificação à Justiça para que seja comunicado oficialmente e, então, sejam excluídos da instituição os candidatos que conseguiram lograr êxito em passar em uma ou outra instituição", pontua o delegado.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Para Conselho Federal de Medicina, Brasil precisa de mais vagas de residência


O presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Roberto D'Ávila, defendeu, nesta terça-feira, 11, que o governo passe a investir na abertura de mais vagas em residência médica e não na ampliação de escolas e cursos de medicina. “Há uma falsa polêmica entre quantidade e qualidade. A preocupação, mais que o número, é a qualidade do ensino”, avaliou.
Em junho deste ano, o Ministério da Educação anunciou o Plano de Expansão da Educação em Saúde, voltado para regiões consideradas prioritárias, que prevê o aumento em 10% do número de vagas existentes em cursos de medicina - atualmente, o país conta com uma média de 1,9 médico para cada mil habitantes, mas o governo defende que o índice ideal seria de 2,5.
O presidente do CFM, ressaltou, durante coletiva de imprensa, que algumas localidades, como o Distrito Federal, chegam a registrar médias superiores a 6 médicos para cada mil habitantes, mas não oferecem boa assistência à população.

“Há uma percepção popular de que falta médico no país. Não é verdade. Faltam médicos no serviço público, onde não há carreira, estímulos, progressão. Os médicos trabalham em condições adversas, sem material”, afirmou, completando que “ninguém quer trabalhar nessas condições em lugar nenhum no mundo”.

Sobre a abertura de instituições para o ensino da medicina, D'Ávila destacou que a maioria das novas escolas não tem corpo docente ou estrutura para aulas práticas, como cadáveres e hospitais. “É uma falácia e uma irresponsabilidade. O que precisamos é de médicos bons e bem formados”, avaliou.
Dados do CFM revelam que o Brasil conta com 197 escolas médicas, algumas com dois ou três cursos distintos - em todo o país há 208 cursos de medicina. Esse número faz do País o segundo colocado no ranking global de formação superior na área de saúde, atrás apenas da Índia (272), que tem população seis vezes maior. Está à frente de 188 nações, entre as quais a China (150) e todos os países europeus, e tem 61 escolas a mais que os Estados Unidos (137), cuja população é 63% maior.
Desde a década de 1990, conforme dados do CFM, o Brasil vive o boom de abertura de escolas de medicina, que aumentaram em 137% no período. Dessas, 62% estão nas Regiões Sul e Sudeste. Do total de novas, 114 são privadas e 83 públicas, das quais apenas 15 federais. Outras 15 escolas de medicina estão em construção no País, sendo as mais adiantadas as de Olinda, em Pernambuco, Estado que já tem seis cursos; Erechim (RS), que conta com 11 unidades; e Francisco Beltrão, no Paraná, Estado onde 11 escolas oferecem 1.007 vagas.
Com mais de 370 mil profissionais, o Brasil é o quinto país do mundo em número absoluto de médicos, que representam 19% dos que atuam nas Américas. O maior problema é que eles estão mal distribuídos e poucos vão para o interior. A pior situação é a da Região Norte (taxa de 0,9 médico por habitante), seguida por Nordeste (1,19) e Centro-Oeste (1,99). A melhor situação fica no Sudeste (2,61) e Sul (2,03).
“Temos médicos suficientes. Eles estão mal distribuídos, concentrados no Sul e no Sudeste. A ideia de abrir escolas no interior não é de todo ruim, mas tem que ter qualidade. Precisamos da abertura de vagas de residência médica, que é o que prepara os especialistas. O que fixa o médico é a residência. A escola não fixa”, destacou.
Atualmente, cerca de 14 mil médicos se formam todos os anos no Brasil, mas o País registra apenas 7 mil vagas de residência médica. 

*Com informações da Agência Brasil e Agência Estado